Lar Entrevista Entrevista – ‘‘Nossa prioridade central é cuidar das pessoas e fortalecer a universidade pública’’
Entrevista

Entrevista – ‘‘Nossa prioridade central é cuidar das pessoas e fortalecer a universidade pública’’

Na última quarta-feira, 15, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia elegeu novo reitor. Toda a comunidade universitária foi às urnas e escolheu a Chapa ‘‘Cuidar para Transformar’’, liderada pelos professores Robério Rodrigues e Francys Cerqueira, para a gestão 2026-2030. A divulgação oficial do resultado só aconteceu na tarde de quinta-feira, mas antes mesmo de encerradas as urnas do campus de Jequié, Robério já tinha sido considerado numericamente eleito. Nesta semana, Robério conversou com o Jornal Dimensão e falou sobre a campanha, os planos e desafios e, principalmente, a Uesb que ele quer formar nos próximos anos. A Robério e Francys, o Dimensão deseja sorte na próxima caminhada, para que a universidade pública continue sendo ferramenta potente de transformação social.

Jornal Dimensão: O senhor foi considerado numericamente eleito antes mesmo de encerrada a apuração das urnas do campus de Jequié. A que o senhor atribui essa adesão à sua candidatura?

Robério Rodrigues: Acredito que essa adesão é resultado de três fatores principais: identificação, confiança e construção coletiva. Há uma identificação muito forte da comunidade com a nossa trajetória. Eu e a professora Francys somos frutos da própria UESB. Fomos estudantes da universidade, vivemos suas dificuldades e potencialidades, e construímos aqui nossas trajetórias acadêmicas e profissionais. Isso nos dá uma compreensão concreta da realidade da instituição. No meu caso, essa trajetória inclui a atuação como representante estudantil, o que me aproximou ainda mais das demandas dos estudantes. A professora Francys construiu uma trajetória profundamente comprometida com a inclusão, a formação e o diálogo com a sociedade. Além disso, tivemos uma construção coletiva muito sólida nos três campi, com apoio expressivo de estudantes, docentes e técnicos, e, especialmente do movimento estudantil. Apresentamos propostas claras voltadas para permanência estudantil, assistência e fortalecimento das entidades. E, por fim, apresentamos um projeto que nasce da escuta da comunidade. Isso fez com que a eleição refletisse o reconhecimento de um projeto coletivo para o futuro da UESB.

JD: Quais são as prioridades da sua gestão para os próximos quatro anos?

RR: Nossa prioridade central é cuidar das pessoas e fortalecer a universidade pública como instituição estratégica para o desenvolvimento regional. Isso se traduz em algumas frentes fundamentais: qualificar o ensino de graduação, enfrentando seus gargalos estruturais; fortalecer a pesquisa, a pós-graduação e a inovação; ampliar a extensão universitária; consolidar políticas de assistência e permanência estudantil; valorizar docentes e técnicos; e melhorar a infraestrutura e a gestão institucional, com mais planejamento, transparência e eficiência. Nosso programa propõe uma transformação estruturante da universidade, com base em diagnóstico real e construção coletiva.

JD: Como pretende fortalecer a relação entre os três campi e entre eles e a comunidade?

RR: Vamos fortalecer a integração entre os campi por meio de uma gestão mais articulada e de políticas que incentivem o trabalho conjunto — como projetos intercampi, disciplinas compartilhadas e uso mais eficiente da infraestrutura. Ao mesmo tempo, vamos ampliar a presença da universidade nos territórios. A UESB precisa estar cada vez mais conectada com a sociedade, dialogando com escolas, prefeituras, movimentos sociais e setores produtivos. Nosso objetivo é uma universidade integrada internamente e profundamente enraizada na realidade regional.

JD: Em suas propostas de campanha, o senhor destacou a importância de ampliar a qualidade do ensino de graduação. Quais as principais diretrizes para isso?

RR: Nossa proposta é promover uma transformação estruturante da graduação, enfrentando de forma direta problemas históricos que hoje impactam a qualidade do ensino. Temos três questões centrais que precisam ser resolvidas com prioridade. A primeira é a regularização da falta de professores em componentes obrigatórios, que compromete o fluxo acadêmico e a qualidade da formação. Vamos instituir um planejamento permanente de concursos para garantir estabilidade e continuidade pedagógica. A segunda é a regularização dos cursos que ainda não possuem ato de reconhecimento junto ao Conselho Estadual de Educação. Esse é um passivo institucional grave, e vamos estabelecer um plano com prazos definidos para garantir segurança jurídica aos cursos e aos diplomas. A terceira é a ausência de um Projeto Pedagógico Institucional para os bacharelados, que hoje gera fragmentação. Vamos construir esse PPI de forma coletiva, garantindo identidade formativa e maior integração entre ensino, pesquisa e extensão. Além disso, vamos modernizar os currículos, ampliar a interdisciplinaridade, fortalecer monitorias e iniciação científica, investir em infraestrutura e enfrentar a evasão com políticas estruturadas de permanência.

JD: De que forma a extensão universitária pode se aproximar ainda mais da comunidade?

RR: A extensão precisa estar cada vez mais integrada ao ensino e à pesquisa e orientada pelas demandas reais da sociedade. Vamos fortalecer projetos que atuem diretamente nos territórios, ampliando a presença da universidade em comunidades, escolas e organizações sociais. Nosso objetivo é consolidar a UESB como uma universidade comprometida com a transformação social, que dialoga com a sociedade e contribui para soluções concretas.

JD: Diante dos desafios orçamentários, como garantir investimentos e manutenção da universidade?

RR: Vamos atuar em três frentes: defesa do orçamento público e da autonomia universitária; fortalecimento do planejamento institucional; e ampliação da captação de recursos externos. Temos experiência concreta nisso, com captação significativa de recursos para pesquisa e infraestrutura. Vamos ampliar essa capacidade e colocá-la a serviço de toda a universidade. A gente sabe que em todo país temos dificuldade com a permanência dos alunos até o final do curso.

JD: Como a gestão pretende lidar com a evasão e com questões como as demandas por assistência estudantil?

RR: Esse é um dos principais desafios da universidade e será tratado como prioridade. Vamos ampliar as políticas de assistência estudantil, garantindo condições reais de permanência, como alimentação, moradia e apoio acadêmico. Também vamos implementar sistemas de monitoramento da evasão para identificar causas e agir de forma preventiva, com programas de acolhimento, nivelamento e acompanhamento dos estudantes. A permanência estudantil é central para a qualidade da universidade.

JD:  Que políticas serão implementadas para fortalecer inclusão e diversidade dentro da universidade?

RR: Vamos ampliar as políticas afirmativas e fortalecer uma agenda institucional de inclusão e diversidade. Isso significa garantir acesso, permanência e sucesso acadêmico para estudantes de grupos historicamente excluídos, além de consolidar políticas de combate à discriminação e promoção de um ambiente universitário mais plural e democrático.

JD: Qual a UESB que o senhor imagina ao final da sua gestão?

RR: Imagino uma UESB mais forte, mais integrada e mais conectada com a sociedade. Uma universidade que tenha avançado na qualidade do ensino, na produção científica e na sua inserção social; que garanta condições reais de permanência para seus estudantes; que valorize seus servidores; e que seja referência regional e nacional. Uma universidade que cuida das pessoas para transformar realidades, que é o sentido do nosso projeto

%s Comment

  • Uma entrevista com perguntas bem direcionadas e respostas precisas. Sabemos que a gestão do professor Robério e da professora Francys será de extremo cuidado com a Uesb e com as pessoas que a compõe. Sucesso e sorte!!!

Comentários estão fechados.

Artigos relacionados

Entrevista

“O luto é o que sentimos quando a presença se faz na ausência”

Jornal Dimensão: Nesta semana, as formas de viver o luto viraram pauta...